Raciocínio Lógico
🧠 raciocínio lógico · a arquitetura da argumentação
📌 Lógica da argumentação
A lógica é o estudo dos princípios do raciocínio válido. Ela investiga a estrutura dos argumentos, que são conjuntos de proposições organizadas de modo que algumas (premissas) pretendem justificar ou dar suporte a outra (conclusão).
📖 O que é um argumento?
Argumento é uma sequência de proposições na qual uma delas é a conclusão e as demais são premissas que a apoiam. Exemplo clássico:
🔹 Premissa 1: Todos os homens são mortais.
🔹 Premissa 2: Sócrates é homem.
🔹 Conclusão: Sócrates é mortal.
📄 O que é uma proposição?
Proposição é uma frase declarativa que pode ser julgada verdadeira ou falsa. Ex.: "Todos os homens são mortais." (pode ser V ou F, mas aqui é tomada como verdadeira no contexto do argumento).
🔍 O que são premissas e conclusão?
Premissas são as proposições que oferecem evidência ou razão para aceitar a conclusão. Conclusão é a proposição que se pretende estabelecer. No exemplo acima, as duas primeiras são premissas; a terceira é a conclusão (indicada por "portanto").
⚖️ Argumentos dedutivos e indutivos
Os argumentos dividem-se em duas grandes famílias: dedução e indução.
🔷 Argumento dedutivo
Na dedução, a conclusão segue-se necessariamente das premissas. Se as premissas são verdadeiras, a conclusão é obrigatoriamente verdadeira. Não há ganho de informação, apenas explicitação.
Exemplo dedutivo:
• Todo mamífero tem coração.
• Baleia é mamífero.
• Logo, baleia tem coração.
🔶 Argumento indutivo
A indução parte de observações particulares para uma conclusão geral (ou provável). A conclusão vai além do conteúdo das premissas, sendo apenas provável, não certa.
Exemplo indutivo:
• Coloquei o dedo na tomada e levei um choque.
• Maria também levou um choque ao colocar o dedo na tomada.
• (Portanto) qualquer pessoa que colocar o dedo na tomada levará um choque.
Observe que a conclusão é uma generalização; mesmo com muitas confirmações, a indução nunca oferece certeza absoluta — pode sempre haver uma exceção.
⚠️ O problema da indução
O filósofo escocês David Hume (1711-1776) foi o primeiro a formular claramente o problema da indução: não há justificativa racional para acreditar que o futuro será semelhante ao passado. A indução baseia-se no princípio da uniformidade da natureza, que não pode ser provado sem cair em circularidade. Por mais que observemos corvos pretos, a afirmação "todos os corvos são pretos" permanece conjectural.
“Que o sol não nascerá amanhã é tão inteligível e não implica mais contradição do que a afirmação de que ele nascerá.” — David Hume
Apesar disso, a indução é indispensável na vida prática e na ciência; Karl Popper propôs que a ciência avança por conjecturas e refutações, evitando o problema da indução ao focar na falseabilidade.
🧩 Validade, verdade e solidez
Na lógica dedutiva, um argumento é válido se a conclusão decorre necessariamente das premissas. É sólido (ou cogente) se for válido e as premissas forem verdadeiras. Já na indução, fala-se em força (grau de suporte).
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